sábado, agosto 14, 2010

Kumbh Mela


O Romeu sempre gostou de viajar. Nos últimos tempos as suas viagens têm sido tão frustradas como as suas férias... Vai daí o Romeu tem viajado, como pode: através dos livros e das histórias que cada povo conta... Uma das que o deixou particularmente curioso foi a Festa do Pote - em hindi: Kumbh Mela...

Reza, então, a história que há muito, muito tempo, deuses e demónios entraram num conflito pela disputa do pote que continha o néctar da imortalidade. No calor da refrega, diz-se, que quatro gotas desse elixir caíram sobre a Terra, mais propriamente nas cidades indianas de Allahabad, Haridwar, Nasik e Ujjain.

Evocando este episódio em cada 12 anos realiza-se a referida festa do Pote alternadamente em cada uma das 4 cidades onde tombaram o hidromel.

Cabe aos Naga Sadhus, ascetas ioguis, abrirem o Mela com os seus rituais de flores e de cinzas. este ano foi a vez de Haridwar - o Portão dos Deuses - na margem do rio Ganges.

De Romeu, o único néctar que verte, são as suas lágrimas mas, dessas não nasce nada.

O Romeu, espera mas não desespera, e por isso, daqui a 12 anos espera estar em Nasik, sem lágrimas, para que também ele através das cinzas e da ablução se faça um homem novo, lavado de pecados para seguir impoluto o eterno ciclo de nascimentos e reencarnações.

O Romeu espera...

sexta-feira, agosto 13, 2010

O verbo...


Amar é difícil. O Romeu sabe-o bem. Talvez por ser tão difícil, quando o amor acaba, ele nunca deixa de amar...

O cheiro do perfume do corpo da sua amante permanece por entre o seu corpo, na roupa depois de lavada, na cama há muito não partilhada... permanece.

O escutar de certas musicas, que mesmo no silêncio da noite teimam em tocar, depois de adormecer, quando começa a sonhar... permanecem.

O ver as mesmas imagens, mesmo de olhos fechados, já depois de não frequentar os mesmos sítios, mesmo quando já não vê sequer esses olhos... permanecem.

A sensação de toque de um corpo com quem já não partilha intimidade, ou toque ou carinho... permanece.

O gosto suave do beijo alegre, do roubado, do apaixonado, do louco, do traído, do mentido, do acre e do doce... permanece.

O Romeu, tentou, em vão, esquecer depressa quem não pode ser esquecido.

O Romeu, tentou em vão, esquecer que não era Romeu,
que era como outro qualquer pintor que não gosta da sua tela e a deita fora,
como outro qualquer compositor que não gosta da sua nova partitura e a rasga,
como outro qualquer perfumista que não conseguiu ainda o aroma que queria e desiste do perfume,
como outro qualquer escultor que erra o seu cinzel e parte a pedra mal colocando-a de lado...

como outro... qualquer... descobriu, rapidamente, que é como outro qualquer, tem é uma memoria fora do comum.

quinta-feira, agosto 12, 2010

Há... de haver!


Quando o Romeu ama há uma felicidade em si que transborda, torna-o tolo, inconsequente, puto "charila", ciumento, desmesurado, bom, atento e, em tudo o que vê, mesmo na pessoa amada é sempre com uma sensação de que antes da escuridão há luz e depois, também!

O Romeu é inteligente: pensa muito com o coração! Que é o melhor órgão para avaliar e ser avaliado!

segunda-feira, agosto 09, 2010

Cansaço


O Romeu é de se queixar!

Mas, desta vez só queria mesmo que o deixassem em paz.

Valerá a pena questionar porquê?

Quem falhou?

De quem foi a culpa?

Como aconteceu?

O que foi feito do sentimento?

Choras muito?

Tens saudades?

Já viste o que disse?

Porque contou?

Porque ocultou?

E se tivesse feito diferente?

E se... porque... mas...

O Romeu, gostaria mesmo que o deixassem em paz. Merece!

Deixem que o sentimentos em si brotem e irrompam a alma mas, no sossego e no silêncio de si.

A relação é sua, os sentimentos também... os bons e os maus. Só seus!

domingo, agosto 08, 2010

Fez-se luz... numa espécie de lusco fusco esquizitoide...


O Romeu, a medo levantou a pedra de onde brotavam todos os seus receios, medos e temores... O que encontrou foi a confirmação da sua apreensão, mas nunca esperou que a pessoa que ele tão delicadamente tinha colocado num "altar de virtude" fosse afinal, também, brotar de baixo de uma pedra.

O inicial contentamento que Romeu teve após descobrir que tinha razão, deu, quase de imediato, lugar a uma estranha sensação de perfídia e desalento.

Afinal, aquela era apenas uma pessoa, tão comum como as outras... mentia, ocultava, falava nas costas, confessava segredos que não eram os seus... por debaixo do manto de generosidade escondia-se o animal que todos somos: o egoísta.

Romeu, sabia agora a verdade, mas preferia nunca ter a descoberto.

sexta-feira, agosto 06, 2010

O Romeu tem sentimentos


O Romeu, como a maioria dos comuns mortais tem sentimentos... Alguns deles são sentidos de forma tão avassaladora que entre ataques de pânico e de ansiedade a, pequenas explosões de choro, o Romeu sente, chora e desespera.

O Romeu por tanto sentir, já quase enlouqueceu. E para não enloquecer certo dia, ganhou gosto pelo vinho (tinto, de boa qualidade) e exagerou. Daí a exagerar diversas vezes foi um passo. O problema foi para deixar...

Como as coisas não acontecem por acaso, um dia o Romeu, que tinha, mais uma vez, sido largado por outra Julieta, conheceu um tipo. O Romeu andava de cabeça perdida e só pensava: "Bolas como é que isto me foi acontecer? Esta Julieta era para a vida! Andou tanto tempo atrás de mim, compreendia-me, sabia "de onde eu vinha", das minhas vicissitudes... Não tinha segredos... Com ela podia ser eu... Melhor, com ela podia a ser o que fui, antes do vinho, antes da loucura assentar arraiais no meu corpo... Podia ser mais, podia ser melhor!".

A Julieta, infelizmente, da mesma forma que o perseguiu para o conquistar, depressa deixou de se interessar e certo dia disse-lhe: "Já não tenho idade, nem paciência para esperar por ti e pelas tuas mudanças. Estou farta: de ti e da tua personalidade!"

O Romeu, encolheu-se, sentiu-se mal, muito mal, cheio de dores... Queria chorar e não conseguia. Agora que ele estava a mudar, agora que ele estava a entrar na rotina da sua Julieta, a compreender melhor os seus problemas, a fazer parte da sua vida... A Julieta que certo dia lhe disse que queria casar consigo, que queria ter filhos com ele... Agora que ele a amava, como ela o amou...

Num primeiro rasgo de idiotice -não há mesmo melhor descrição- o Romeu julgou que a melhor solução era afogar as lágrimas, literalmente... Correu os vários "botequins" que conhecia, em todos parava, olhava prolongadamente o taberneiro e no último segundo, pedia: "Um café!"

Essa noite não dormiu. As outras também não mas, nessa noite lembrou-se do tal tipo que tinha conhecido: Um tipo que não pertencia aos seus conhecimentos mas, pertencia à sua taberna. Um tipo que por diversas vezes lhe interrompeu a leitura apenas para levar um "Boa noite. Está tudo bem com o senhor?".

Um tipo que certa noite, apenas porque o Romeu o quis ouvir, lhe contou a sua história de vida... Resumindo: desempregado, mulher deixou-o, filho não via há mais de 3 anos, bebia que nem uma esponja, tinha uma cirrose... Teria de fazer, depois de vários quistos retirados sem sucesso, um transplante total...

O Romeu, que naquele dia até estava menos triste, compadeceu-se, olhou o homem e pela primeira vez, viu efectivamente o ser à sua frente... Compadeceu-se com a miséria, num acto muito seu perguntou se podia ajudar... O homem olhou-o, sorriu e disse: "Ouviu-me. Já ajudou." Veio a saber que mais tarde, ainda nesse mês, o homem faleceu...

Nessa noite, depois dessa conversa, após tantos cafés, o corpo do Romeu doia-lhe mas, não estava tão dorido quanto a sua alma.

Pensou: Não quero morrer só.
Mas também não posso sofrer nem maltratar-me por quem não me ama, nem espera por mim...

Nessa noite, depois de muito pedir: chorou. Verificou que tinha uma sorte tremenda: estava vivo! E quando se está vivo tudo é possível, a mudança é possível.

Nessa noite, o Romeu adormeceu apaziguado, sem fantasmas que perturbassem o seu sono, nem álcool que aleigeira-se a dor e o sono...

Nessa noite, o Romeu sonhou... Consigo, feliz.

quinta-feira, agosto 05, 2010

O Romeu e a paz...


O Romeu, sempre foi um romântico.
Forjado em ferro antigo, com molde negativo original.
Entregava-se, literalmente de corpo e alma.
Pensava: Se estou com ela, estou todo, completo.

Tal nunca lhe valeu mais do que os já conhecidos "5 minutos de fama" de que Warhol tanto falou, com a maioria das mulheres com quem partilhou vida...

Valeram-lhe ainda, muitas dores de cabeça... e chatices, e insónia...

É que o Romeu, criou um hábito terrível mesmo quando o amor "terminava" para os outros: O Romeu tinha o péssimo hábito de continuar a amar.

Amava acima de tudo o passado vivido com aquela pessoa. Aliás, os momentos felizes. Quase que instantâneamente as discussões, a infelicidade de alguns momentos, as palavras duras, o desprezo... estavam obliterados de tal forma da sua existência interna, que sempre que recordava o outro, inevitavelmente como se de um rio se trata-se correndo para o seu mar, Romeu sorria e sentia o seu pequeno coração encher-se de alegria.

Tinha de requisitar os préstimos pragmáticos de alguns dos seus amigos por forma a que estes o lembrassem da realidade:
"Oh rapaz então e aquilo que ela te disse?" diziam uns.
"Oh homem mas porque raio gostas tu de quem não gosta já de ti?" diriam outros.

Com algum pesar mas, consciente da dureza dos outros corações que efectivamente o tinham deixado para trás como se de um velho vaso se tratasse, o Romeu, algo frequente, vertia uma lágrima ou outra e o seu coração ficava pequenino, cheio de pena de si próprio, repleto, agora, de incompreensão pelo sucedido.

Sabia que os amigos tinham razão.

Sabia também, que quando amava era uma pessoa muito melhor.

Romeu, estava em constante dicotomia interna.

Não abdicava de amar mas, nestes casos, como amar?